Grupo de socialistas católicos contra novo referendo
Primeiro-ministro pretende consulta até ao final do ano
Um grupo de militantes católicos do PS manifestou-se hoje contra a proposta do primeiro-ministro para a realização de um referendo sobre o aborto até final do ano e promete pressionar José Sócrates a desistir da consulta.

"É lamentável que o PS ponha o aborto na ordem do dia, quando não passa de um 'fait-divers', e há assuntos muito mais importantes na área da educação ou da saúde", disse à Lusa Cláudio Anaia, do grupo de socialistas católicos, que já fez campanha pelo "não" no referendo de 1998, na altura sob a designação Jovens Socialistas Católicos.

Para já, este grupo quer reunir-se com as duas deputadas independentes do Movimento Humanismo e Democracia, Rosário Carneiro e Teresa Venda, eleitas nas listas do PS e que se opõem à despenalização, e admite também pedir uma audiência ao líder do partido para discutir o assunto.

Se o referendo avançar, este ex-dirigente da JS promete fazer campanha contra a despenalização, tal como aconteceu há sete anos, tendo como "inspiração" uma frase de Sousa Franco: "A legislação do aborto livre é a passagem de uma fronteira. Essa não é a sociedade humana que sempre idealizei".

No primeiro referendo, a 28 de Junho de 1998, o "não" obteve 50,1 por cento e o "sim" 48,2 por cento, apesar de a consulta popular não ter sido considerada vinculativa por não terem participado mais de metade dos eleitores.

Sócrates defende referendo até ao final do ano

O primeiro-ministro defendeu ontem a realização de um novo referendo sobre o aborto até final do ano.

Para isso, o PS entregou na Assembleia da República um projecto de lei, com debate e votação marcados para 8 de Julho, e que altera os prazos para convocação de referendos de modo a permitir a consulta até final do ano.

Em Abril, os socialistas aprovaram um projecto para fazer um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, que teve o apoio do Bloco de Esquerda, do PCP e de "Os Verdes".

No entanto, o Presidente da República, Jorge Sampaio, decidiu não convocar a consulta, porque, face aos prazos legais em vigor, teria de se realizar no período de Verão, o que não daria garantias de participação eleitoral.
 
Fonte: Lusa em 29/06/2005

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