Especialista desmascara abortismo dos que promovem a pílula do dia seguinte
Uma das profissionais médicas mais comprometidas com a defesa da vida no Peru, denunciou a manipulação da linguagem dos que promovem a pílula do dia seguinte como «anticoncepcional» e negam intencionalmente seu efeito abortivo.
Num artigo intitulado “O debate em torno da ‘Anticoncepção Oral de Emergência”, que a imprensa local se nega a publicar, a doutora Maíta García Trovato detalha o funcionamento da pílula do dia seguinte e denuncia que nos últimos tempos “assistimos a uma constante manipulação da linguagem que tende a esvaziar de conteúdos éticos ou a disfarçar o verdadeiro significado de determinadas palavras com propósito deliberado de modificar o conceito que a opinião pública tem sobre as mesmas”.

Segundo García Trovato, “basta recordar como exemplo, a substituição de homossexualidade por ‘opção sexual’, aborto por ‘interrupção da gravidez’ e mulher por ‘perspectiva de género”.

Isto, acrescenta “é mais evidente quando se trata o tema da eufemisticamente chamada Anticoncepção Oral de Emergência (AOE). Somente a denominação traz a mensagem de estar diante de um anticoncepcional a mais. Mas “de emergência”. Isto é, para solucionar a consequência indesejável, chama-se bebé, que pode decorrer de uma relação sexual não protegida”.

“Assim se esquiva de revelar algo que hoje já não se discute que é o facto de que este produto tem três mecanismos prováveis de acção entre os quais está o de impedir a implantação do óvulo fecundado que os especialistas em fecundação assistida chamam com toda propriedade ‘embrião humano’”, denuncia.

García Trovato lembra que “este embrião humano, desde o momento da fecundação, constitui um ser com identidade genética própria (tem um genoma diferente dos dos pais que lhe deram origem), com um sexo definido ( determinado pelo cromossoma sexual contido no espermatozóide) e possui os elementos e a capacidade necessários para comandar o seu próprio desenvolvimento”.

“Quando implantado no útero, se chamará feto. Quando ao nascer venha ao mundo exterior, irá se chamar bebé. Nunca deixará de ser humano. A sua essência como tal não pode estar subordinada ao tamanho que tenha ou ao lugar onde habita”, adverte a especialista.

García Trovato denuncia que no Peru utiliza-se “o mesmo esquema seguido em todos os países nos quais o aborto é ilegal”.

“Para promover este produto mudaram a definição de gravidez e tomou-se uma nova acepção para a palavra ‘aborto’. Confundem a opinião pública apresentando a gravidez como se esta desse origem a um novo ser quando na realidade é o novo ser que dá origem à gravidez”, detalha.

Com esta manipulação, “para que exista uma gravidez é necessário a concepção de um ser humano e, por outro lado, é bem sabido que o embrião recém concebido - e antes da sua implantação – produz sinais biológicos ao nível molecular que facilitam o seu reconhecimento e preparam a sua implantação , mantendo uma evidente comunicação com a sua mãe praticamente desde o momento da concepção”.

Desta maneira, adverte García Trovato, “a discussão foi restringida ao início da gravidez mais que ao início da vida”.

A especialista afirma que não se diz que aborto “é a eliminação deliberada e directa, como quer que seja, de um ser humano na fase inicial de sua existência, que vai da concepção ao nascimento” .

“Recorreram às recomendações da Organização Mundial de Saúde sem lembrar que não são mais do que isso: recomendações. A OMS, que foi objecto de muitos questionamentos, não pode intervir na assunção soberana de políticas públicas dos nossos países. Pode opinar e recomendar. Deve respeitar” , esclarece.

Para García Trovato, “as pessoas têm o direito e o dever de estar plenamente informadas para tomar as decisões que julgarem pertinentes em relação aos diferentes métodos anticoncepcionais. E é em atenção a este direito que cremos que no que diz respeito à AOE não se está a dizer toda a verdade”.

“Uma parte da população está a favor dos anticoncepcionais, mas uma grande maioria está contra o aborto. Se obtiverem a informação relacionada com esta possibilidade ainda não descartada, irão abster-se de utilizar a AOE enquanto não for garantida a segurança absoluta de que não atenta contra vida nascente”, conclui.
 
Fonte: ACI em 20/05/2004

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